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Fundação ABC e parceiras identificam nova espécie viral associada ao mosaico do trigo

Publicado em 25/01/2019

É o primeiro resultado do projeto de análise de população viral e estratégias de manejo para a doença no Brasil e que integra outras instituições de pesquisa e universidades.


Foto: Agrolink

Desde fevereiro de 2018, a Fundação ABC participa de um projeto que está analisando a população viral e definindo estratégias de manejo para o mosaico do trigo no Brasil. Além de identificar com maior precisão os diferentes vírus que causam o mosaico do trigo, o grupo também está avaliando a eficiência de estratégias genéticas, químicas e culturais no controle da doença.

A descoberta do vírus WhSMV foi possível através de técnicas avançadas de sequenciamento (Next Generation Sequencing ou NGS). As plataformas NGS realizam o sequenciamento de milhões de pequenos fragmentos de DNA em paralelo. Análises de bioinformática são usadas para juntar esses fragmentos permitindo a montagem do genoma viral. O genoma obtido foi então comparado com genomas virais disponíveis em banco de sequências e observou-se que o vírus associado ao mosaico em trigo é 50% divergente de vírus já conhecidos.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, Douglas Lau, o projeto foi estruturado de forma de forma multi-institucional, combinando universidades e empresas de pesquisa públicas e privadas. O sequenciamento e análise da variabilidade da população viral estão sendo realizados na UDESC, com apoio da Embrapa Uva e Vinho e Embrapa Informática Agropecuária. A caracterização fenotípica, análise da população viral e avaliação das práticas de manejo estão sendo realizadas em rede de ensaios de campo nas regiões tritícolas do Sul do Brasil, executados por Embrapa Trigo, Biotrigo Genética, CCGL Tecnologia, OR Melhoramento de Sementes e Fundação ABC. No total, serão quatro anos de pesquisa, com experimentos em sete municípios do Rio Grande do Sul e Paraná.

De acordo com o pesquisador e coordenador do setor de Fitopatologia na Fundação ABC, Senio José Napoli Prestes, a instituição está colaborando com os testes de genótipos que já realiza e assim verifica a suscetibilidade dos materiais plantados. “E dentro de um material suscetível, estamos analisando como o tratamento de sementes pode melhorar”, acrescentou.

O mosaico do trigo é uma doença viral cujos efeitos negativos na produção de trigo tem se tornado mais frequentes nas regiões tritícolas da América Latina, especialmente no sul do Brasil e no sul do Paraguai. A doença pode reduzir em 50% a produtividade quando cultivares suscetíveis são semeadas em áreas com inóculo e em condições favoráveis de ambiente. As plantas infectadas pelo vírus apresentam graus variados de subdesenvolvimento, lesões nas folhas e colmos, além do reduzido desenvolvimento de espigas, limitando o potencial de rendimento da cultura.