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Projeto sigmaABC lança versão Beta da plataforma

A Fundação ABC, em conjunto com o Instituto Eldorado, lançou nesta semana a versão Beta da plataforma que pretende trazer um grande avanço para produtores, assistentes técnicos, pesquisadores e cooperativas quanto a agilidade na tomada de decisões.

Na última terça-feira, no auditório da fundação, a versão teste, vamos dizer assim, foi apresentada para 30 pessoas, entre produtores e agrônomos, escolhidos pelas cooperativas que também fazem parte do projeto (Frísia, Castrolanda e Capal). Após as explicações, cada um recebeu um aparelho smartphone, com o aplicativo da plataforma instalado. Eles irão usar o sistema, cadastrando propriedades e incluindo as informações coletadas no campo e de tempo e tempo vão trocar opiniões a respeito da plataforma com a equipe de desenvolvimento. “É um teste antes de lançar o produto. Com a opinião, sugestão e críticas deles, nós iremos ter uma percepção do nosso produto e assim vamos conseguir melhorá-lo ainda mais, resumiu Rodrigo Yoiti Tsukahara, coordenador do projeto.

Luís Henrique Penckowski, gerente técnico de Pesquisa, definiu a data como um dia histórico, por conta do primeiro contato que alguns usuários começaram a ter. “Sempre fomos um polo de vanguarda e somos imparciais. Não vendemos nada, só repassamos informação aos nossos mantenedores e contribuintes. Estamos inseridos no meio dos produtores e da assistência técnica e todos deste grupo estão comprometidos com o resultado do produtor. Isso é um grande diferencial que temos”, comentou.

Para entender mais sobre o projeto sigma ABC, leia a entrevista com o coordenador do projeto, clicando aqui.

Entenda mais sobre o Projeto sigmaABC

Hoje em dia o agricultor já tem uma grande variedade de informações e ferramentas que podem lhe ajudar no dia-a-dia da propriedade, buscando a sustentabilidade da sua atividade. O avanço da tecnologia no agro trouxe mais de uma centena de aplicativos e plataformas. Mas o produtor olha com desconfiança para estas novidades, por conta de que não tem a certeza de que as suas informações estarão seguras ou podem ser usadas para outros fins sem a devida autorização, já que a maioria pertence a empresas terceiras.

Assim, o projeto que a Fundação ABC está desenvolvendo com as cooperativas Frísia, Castrolanda e Capal, em parceria com o Instituto de Pesquisas Eldorado, pode ser considerado estratégico para os nossos associados, assistentes técnicos e para as próprias cooperativas.

Trata-se de uma plataforma composta por módulos que terão como objetivo integrar as informações dos usuários, como dados de fazendas, talhões, máquinas e implementos, custos de produção, com dados coletados em campo (scouting), levantamentos geofísicos, estações meteorológicas automáticas, radares e satélites meteorológicos,  modelos matemáticos (doenças, pragas, plantas daninhas, água no solo, produtividade potencial), agricultura de precisão e modelos de sensoriamento remoto (índices de vegetação), entre outros. Além de permitir a integração com laboratórios, prestadores de serviços e sistemas, como o sistema de gestão agronômica. Por fim, ainda o módulo funcional de pesquisa para extensão que entregará aos usuários informações detalhadas sobre a performance de sementes, adubos, agroquímicos, geradas pela Fundação ABC e/ou outras instituições de pesquisa.

Uma vez organizadas no banco de dados, as informações serão submetidas a técnicas estatísticas, linguagens matemática e computacional para geração de um conhecimento multidisciplinar, oferecendo isso aos diversos usuários, no formato de relatórios, mapas, tabelas, gráficos, mensagens de texto e notificações.

A primeira versão estará disponível a partir da safra de verão 2019/2020 e sua plataforma web e mobile será composta, inicialmente, por 16 módulos funcionais.

Com este projeto, a Fundação ABC e as cooperativas do grupo ABC acreditam que haverá uma maior integração entre os diferentes usuários do sistema (produtor, assistente, cooperativa e pesquisa), o conhecimento gerado pela fundação será melhor distribuído entre todos, o problema/solução será tratado de forma mais customizada, além da rastreabilidade das informações, a integração com outros sistemas de gestão, laboratórios ou prestadores de serviço, a redução das incertezas durante o processo de tomada de decisão e o aumento da resiliência dos produtores associados.

Para fazer uma apresentação inicial deste projeto, que cada vez mais será assunto dentro do grupo ABC, convidamos Rodrigo Yoiti Tsukahara, doutor pesquisador e coordenador do setor de Agrometeorologia na Fundação ABC e que também está à frente deste projeto, para um bate-papo. Confira.

 

  1. Quais são os principais desafios na cadeia de produção agropecuária? Como o sigmaABC ajudará a transformar estes desafios em oportunidades para o Grupo ABC?

Resposta: quando olhamos a cadeia de produção, desde o campo até o prato, identificamos inúmeros gargalos de ordem técnica, política, econômica e até social, com especial atenção à falta de infraestrutura básica e ao péssimo sistema de logística de transporte. Por outro lado, quando olhamos “dentro da porteira”, surgem outros gargalos como a identificação, quantificação e correto trato da variabilidade espaço-temporal em cada talhão, a influência do fator econômico sobre o técnico ou ambiental, a ausência de indicadores de eficiência ou a falta de monitoramento dos mesmos e por fim, a falta de integração entre os diferentes sistemas (agrícola, pecuário, técnico, contábil ou financeiro). Neste contexto, destaco o sigmaABC como o sistema que poderá promover tanto a integração de informações/sistemas, dentro e fora da porteira, quanto a rastreabilidade (informações como procedência e qualidade em um determinado agroproduto) dentro do processo produtivo, resultando em um diferencial competitivo aos nossos associados e Cooperativas ABC.

 

  1. A cadeia de produção de alimentos é formada por diversos “atores”. Contudo, quando pensamos nos produtores rurais, consultores técnicos ou nas próprias cooperativas, como o sigmaABC contribuirá no processo de melhoraria da eficiência de cada etapa da produção?

Resposta: segundo algumas pesquisas realizadas com foco no agronegócio, o produtor rural toma em média 50 decisões por dia. Se ele tiver ao alcance uma ferramenta que faça a coleta, processe, armazene e principalmente transforme aquela informação em algum conhecimento, isso o ajudará a manter o foco onde é necessário! Otimizar o tempo de todos, refletir e discutir possibilidades reais, usar os recursos onde realmente é necessário são os pontos principais que este tipo de tecnologia/sistema poderá proporcionar.

Da mesma forma, esperamos que o sigmaABC auxilie o consultor técnico a tomar as melhores decisões dentro de cada situação, aplicando o seu conhecimento e experiência de campo com as informações de doenças ou pragas coletadas na sua última visita, comparando com a situação atual, a situação média regional, as datas reais de aplicação ou pulverização dos adubos e agroquímicos, a variabilidade espacial de cada talhão obtida junto aos satélites ambientais, a previsibilidade dos modelos de severidade de doenças ou picos populacionais, a previsão de tempo de curto e médio prazo, entre outras disponibilizadas pelo sigmaABC. Além das informações “ambientais”, também será interessante para a Fundação ABC poder proporcionar aos diferentes usuários, um conjunto de informações e resultados de pesquisa, atualizadas e regionalizadas, melhorando o processo de transferência do conhecimento e reduzindo as incertezas no processo de tomada de decisão.

Quanto as Cooperativas mantenedoras, eu imagino algumas vantagens como a possibilidade de identificação da exata localização das áreas agrícolas auxiliando as decisões sobre planejamento e infraestrutura, o conhecimento do perfil técnico e gerencial dos seus associados validando com as decisões econômico-financeiras, os resultados dos modelos de previsão da qualidade industrial auxiliando o planejamento na segregação e armazenamento do trigo, informações fitossanitárias de todo o corpo técnico sendo a base de decisões emergenciais não planejadas, o uso de satélites e índices de vegetação para monitoramento da qualidade dos campos de produção de sementes, ou o uso dos modelos de previsão de fenologia auxiliando na logística de recepção, secagem, armazenamento e transporte da safra. Enfim, esta alta disponibilidade das informações na forma de relatórios ou indicadores tornará as decisões mais rápidas, precisas e com menor grau de incerteza.

 

  1. E como se dará esta troca de informações entre os diferentes sistemas com o sigmaABC?

Resposta: esta é uma questão de grande relevância. A Fundação ABC evidenciou durante estes anos de fomento junto às Cooperativas ABC, que a nossa estratégia é a de integrar as informações já existentes, coletadas e armazenadas em diversos outros sistemas, consultorias ou laboratórios. Ou seja, para que o sigmaABC se mantenha atualizado, será necessário que estes outros sistemas também estejam.

Um exemplo prático desta relação de dependência foi o Portal de Programação de Insumos, desenvolvido pela Frísia e Castrolanda, onde toda a carga inicial de informações de sementes, adubos, agroquímicos por talhão e fazenda foram integradas à base do sigmaABC antes do plantio da safra e atualizadas em intervalos horários. Esta ação habilitou  programa a gerar informações personalizadas (imagens de satélite, resultados de simulações dos modelos matemáticos, previsões, etc) para cada talhão, produtor, assistente técnico ou cooperativa.

Outro exemplo prático é a confirmação entre uma determinada operação agrícola planejada (plantio, aplicação, pulverização e colheita) versus a realizada no campo. Através do aplicativo do sigmaABC, o usuário (produtor associado, funcionário registrado ou consultor técnico) que confirmar a data de plantio, receberá informações sobre a simulação dos estádios fenológicos, indicadores de favorabilidade de doenças ou de disponibilidade de água no solo. Da mesma forma, o usuário que confirmar as informações planejadas (originadas do Portal de Insumos), ou mesmo aquele que decidiu mudar alguma informação previamente registrada no Portal de Insumos, e informe então a data, hora, produto, dose de um fungicida para controle da ferrugem da soja, os mesmos estarão aptos a receber o resultado das simulações sobre a duração do período residual sob proteção pelo fungicida.

Por fim, quanto maior a fidelidade entre as práticas agrícolas realizadas no campo com os dados inseridos no sigmaABC, mais representativo serão os indicadores técnicos, econômicos e ambientais, possibilitando tanto o benchmarking da sua realidade atual em relação  as médias regionalizadas, quanto a identificação de quais etapas da produção agropecuária devem ser revisadas, seja ainda durante a safra, ou então na safra seguinte.

 

  1. Na apresentação para as Cooperativas ABC, você mostrou que o sigmaABC é composto por 27 módulos. Todos serão implantados já na primeira versão?

Resposta: na versão 1.0 do sigmaABC pretendemos entregar 16 módulos, escolhidos em função da importância estratégica, complexidade de desenvolvimento e diferencial competitivo frente às plataformas digitais atualmente oferecidas por outras empresas (leia um pouco mais sobre estes 16 módulos ao final da entrevista).

Para fins de destaque, o módulo de “cadastro” pode ser considerado o mais estratégico, pois viabilizará o referenciamento espaço-temporal das áreas produtivas e das informações de manejo, assim como o cruzamento destas com outras variáveis agronômicas, ambientais e econômicas, suportando o planejamento e as tomadas de decisão de forma estratégica. Já o módulo de “nowcasting” é o mais dinâmico, pois fornecerá informações sobre os pixels de chuva com resolução de 2 km em intervalos de 10 ou 15 minutos, suportando o desenvolvimento de modelos de previsão de chuva para as próximas 2 ou 4 horas, para cada talhão ou parte da fazenda.

Já o módulo de “scouting” será o mais versátil, pois através do aplicativo será possível coletar e armazenar informações de campo (doenças, pragas, plantas daninhas, manchas de solo), navegar sobre os mapas off-line de satélite, identificar as amostras que serão trazidas para os Laboratórios da Fundação ABC, através de um QRCode. Provavelmente o módulo de “sensoriamento remoto” será o mais eficaz, pois através das imagens de satélite em intervalos de 1, 3 e 5 dias, com resoluções de 3, 5 e 10 metros, será possível identificar, monitorar e manejar a variabilidade dentro de cada talhão (NDVI, EVI, IAF, RGB) em um curto intervalo de tempo (semana). O módulo de “agricultura de precisão” será o mais prático, pois a partir do upload/download dos índices de vegetação coletados pelas próprias Cooperativas ABC, será possível obter o mapa de aplicação de nitrogênio em trigo, ou mesmo armazenar mapas de condutividade elétrica e colheita para definição das zonas de manejo.

Por fim, destaco mais dois módulos funcionais a serem entregues na versão 1.0. O módulo da “câmera multispectral”, talvez o mais inovador, onde a Fundação ABC e o Instituto Eldorado pretendem embarcar os algoritmos para processamento e rápida estimativa do teor de matéria orgânica e argila no solo, ou para classificação de grãos quanto a quantidade de ardidos, alfa amilase, entre outros. E o módulo “pesquisa para extensão” será o nosso diferencial, pois neste estarão contidos os principais resultados de pesquisa gerados ou validados pela Fundação ABC em uma única base, de forma imparcial e regionalizada, habilitando consultas espaciais e temporais, aplicação de filtros e classificação segundo a eficiência técnica, econômica e ambiental.

 

  1. O sigmaABC já está sendo desenvolvido? E quando esta plataforma ficará pronta?

Resposta: a Fundação ABC tem um histórico interessante no desenvolvimento de sistemas com enfoque na agropecuária. Basta lembrar de algumas ferramentas digitais anteriores como o Receituário Agronômico (1993), Sistemas de Custo de Produção (1995), Agrobanco (1997), GeoFarm (1999), smaABC (2002), SID (2005), AgroDetecta (2012). Ou seja, a base já vem sendo trabalhada e desenvolvida há muito tempo. Especificamente sobre o projeto sigmaABC, a Fundação ABC iniciou oficialmente o desenvolvimento do sigmaABC, junto com o Instituto de Pesquisas Eldorado em outubro de 2018, e o tempo de entrega previsto é de 12 meses. Mas estamos trabalhando intensamente para entregar este sistema o quanto antes possível.

 

  1. Todo esse trabalho tem um custo? Quem vai bancar essa conta?

Resposta: sim, existe um custo de desenvolvimento, que basicamente se resume a recursos humanos (50%) e infraestrutura (25%). Nós também conseguimos um aporte financeiro da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e não financeiro do Instituto de Pesquisas Eldorado. Mas a parte mais significativa do custo de desenvolvimento do sigmaABC será das próprias Cooperativas ABC, que provavelmente absorverão este valor dentro do corporativo, sem onerar diretamente o produtor associado.

 

  1. É verdade que a plataforma será oferecida para outros produtores e/ou cooperativas?

Resposta: muitos produtores, cooperativas, empresas do agronegócio e empresas de tecnologia tem procurado a Fundação ABC para conhecer mais sobre o que fazemos, como conseguimos manter a pesquisa de forma personalizada, que tipo de algoritmos são desenvolvidos, como é feita a validação de campo, que tipo de serviço podemos oferecer. E em muitos casos, eles têm tecnologia, mas falta o foco, o alinhamento da pesquisa sobre o produto final. Quando falamos de novas tecnologias aplicadas ao agronegócio, também estamos sendo convidados a expor nossa visão, perspectivas e projetos tanto no Brasil, quanto no exterior. Ambas as situações têm nos permitido provar e comparar as nossas ideias e hipóteses. Enfim, acredito que estamos no caminho certo quando propusemos desenvolver o sigmaABC para o nosso associado.

Após as recentes discussões sobre este projeto com as Cooperativas ABC, existiu um consenso sobre o caráter inovador deste projeto e sobre a força estratégica dos parceiros (Fundação ABC, Instituto Eldorado e cooperativas ABC). Contudo, também ficou entendido que parte dos custos de desenvolvimento e manutenção do projeto deve vir da própria tecnologia e a outra parte deve vir do ganho em escala. Um comitê específico foi montado para discutir melhor e definir estrategicamente a evolução deste tipo de ferramenta. Vamos aguardar!

 

Fundação ABC e parceiras identificam nova espécie viral associada ao mosaico do trigo

É o primeiro resultado do projeto de análise de população viral e estratégias de manejo para a doença no Brasil e que integra outras instituições de pesquisa e universidades.


Foto: Agrolink

Desde fevereiro de 2018, a Fundação ABC participa de um projeto que está analisando a população viral e definindo estratégias de manejo para o mosaico do trigo no Brasil. Além de identificar com maior precisão os diferentes vírus que causam o mosaico do trigo, o grupo também está avaliando a eficiência de estratégias genéticas, químicas e culturais no controle da doença.

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Confira o expediente de Fim de Ano

A Fundação ABC informa a seus clientes, produtores mantenedores e contribuintes como será o expediente neste fim de ano:

24 de dezembro – Sede: fechado | ABClab: atendimento até meio-dia;

25 de dezembro – Sede: fechado | ABClab: fechado

31 de dezembro – Sede: fechado | ABClab: atendimento até meio-dia;

1º de janeiro – Sede: fechado | ABClab: fechado

 

Em caso de dúvidas, entre em contato conosco pelos telefones:

Fundação ABC (geral): (42) 3233-8600

ABClab: (42) 3233-8631

 

Pesquisadores da Fundação ABC reúnem-se com representantes da Ocepar

Representantes da Fundação ABC estiveram na sede do Sistema Ocepar, em Curitiba. Os pesquisadores Luís Henrique Penckowski, Rodrigo Tsukahara e Claudio Kapp Junior foram recebidos pelo presidente da Ocepar, José Roberto Ricken, o superintendente Robson Mafioletti, o gerente técnico Flavio Turra, o coordenador Silvio Krinski e o analista técnico Jhony Moller, na manhã de sexta-feira (30/11).

Na pauta da reunião, informações sobre o projeto Sigma, desenvolvido pela Fundação em conjunto com as cooperativas Frísia, Castrolanda e Capal. A ferramenta tecnológica é uma plataforma que vai integrar informações de toda a cadeia produtiva, oferecendo dados para decisões mais assertivas e ágeis.

Inovação – Segundo o superintendente da Ocepar, a entidade acompanha com interesse o desenvolvimento de ferramentas de gestão que possam qualificar os sistemas de informações disponíveis às cooperativas e produtores. “A criação e sistematização de uma plataforma que ofereça dados precisos e atualizados, é sem dúvida um diferencial competitivo e um projeto de inovação, algo que hoje é prioridade no cooperativismo paranaense”, afirmou Mafioletti.