Quanto Vale

29/11/2022 - Atualizado há 2 meses


Olá amigo leitor! Chegou a hora da colheita de inverno e pensando nisso, vamos atualizar juntos os números de um assunto muito importante. O ponto de colheita da cultura do Trigo.

Para começar essa discussão vamos relembrar algumas observações agronômicas importantes observadas em alguns experimentos de campo conduzidos pelo setor de Agrometeorologia da Fundação ABC (Tsukahara, et al. 2015), entre 2009 e 2019, relacionadas ao ponto de colheita da cultura do Trigo:

  • A maturação fisiológica é o momento de máximo vigor da semente e máximo acúmulo de matéria seca nos grãos, e no caso do trigo, a umidade pode oscilar acima de 34;
  • A partir da maturação fisiológica, os grãos ficam fisiologicamente independentes da planta “mãe” e suscetíveis as condições meteorológicas;
  • O ponto de colheita pode ser representado na prática como o momento em que obtemos a máxima capacidade operacional ou melhor custo sob a ótica das máquinas agrícolas;
  • O período de pré-colheita refere-se ao intervalo de tempo decorrido entre a maturação fisiológica e o ponto de colheita, que pode oscilar entre 14 e 21 dias, dependendo das condições meteorológicas:
    1. Neste intervalo de tempo, os grãos apresentam alta suscetibilidade as condições meteorológicas como chuvas (volume e distribuição) x germinação, baixa radiação e temperaturas x perda de umidade dos grãos, velocidade e intensidade dos ventos x acamento e debulha, além da incidência de fungos e produção de micotoxinas;
    2. A partir do último decêndio de Setembro a tendência é crescente para ocorrência de eventos de chuva frequentes, acompanhados de alta saturação de água, nebulosidade, temperaturas baixas e rajadas de vento.

Conforme é possível extrair do relato acima percebemos que existe a necessidade de realizar a colheita o quanto antes após a maturação fisiológica da cultura do trigo, ao mesmo tempo que é necessário esperar para que ocorra a viabilidade operacional da colheita mecanizada. Além disso, quanto maior o nível de umidade em qual o produtor colhe, mais água ele estará transportando, portanto, maior o custo com transporte e descontos com recepção e secagem no armazém.

Colocando todos esses itens em perspectiva, a Figura 1 apresenta um gráfico com o efeito financeiro no custo, receita e resultado em função da umidade a partir do momento de maturação fisiológica da cultura do trigo.

Observa-se que o efeito da umidade da cultura aumenta de maneira expressiva o Custo uma diferença de R$ 200,00 entre os pontos de 20 e 30 de umidade. No entanto, neste mesmo intervalo de umidade existe uma receita adicional de R$ 550,00, indicando que mesmo com maiores custos existe um saldo de R$ 350,00 por hectare com a antecipação da colheita da cultura do Trigo.

Ainda com os resultados encontrados no ABCBook da Fundação ABC podemos aumentar a discussão aqui para melhorar o resultado financeiro do produtor rural. O setor de Herbologia publicou resultados importantes (Borsato, Penckowski e Maschietto, 2021) confirmando que a dessecação da cultura do trigo pode diminuir os dias entre a maturação fisiológica e o ponto de colheita com viabilidade operacional, com efeito direto na diminuição das perdas de produtividade e qualidade relatadas acima.

A Figura 2 apresenta o resultado da cultura do Trigo, após considerar todos os custos da operação e produto para dessecação, nas situações com e sem dessecação da cultura.

Esses dados indicam que as diminuições das perdas após  a maturação com a dessecação da cultura do Trigo podem melhorar o resultado em aproximadamente R$ 360,00 mesmo após considerar os custos com a dessecação.

Esses resultados indicam que existe uma importância muito grande nestes trabalhos levantados e testados  na Fundação ABC. E você amigo leitor, já está com as máquinas prontas para a colheita de inverno? Já conversou com seu agrônomo sobre o ponto de colheita?

 

 

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