Importância da percentagem de proteína bruta nas diferentes silagens forrageiras

30/11/2023 - Atualizado há 6 meses


Um levantamento realizado pelo setor de Forragens & Grãos apontou resultados do teor de proteína bruta (PB) encontrado nas análises bromatológicas de silagem pré-secada (SPS) de azevém, aveia branca, aveia preta; e da silagem de planta inteira (SPI) de milho, sorgo, aveia branca, trigo sem arista, cevada e triticale dos ensaios de genótipos da Fundação ABC. A fase fenológica para obtenção da SPS foi na plena elongação (azevém) e pleno emborrachamento (cereais de inverno), ou seja, em préflorescimento. Para a silagem de planta inteira, o corte foi realizado a uma altura do solo de 20 cm (milho e sorgo) e 8 cm (cereais de inverno), quando o teor de matéria seca estava, em média, em 33%. Isso representa, para o milho 2/3 a 3/4 da linha do leite, já para o sorgo, grão pastoso, e cereais de inverno com grãos entre massa mole a massa dura.

Os dados obtidos são referentes aos ensaios de pesquisa da Fundação ABC das Safras de Inverno, Verão e Safrinha, compreendidos no período de 2018/19 a 2022/23, contabilizando um total de 5 anos agrícolas, nas 3 regiões do Grupo ABC: Fria (Castro e Ponta Grossa), Transição (Arapoti) no estado do Paraná e Quente (Itaberá) no estado de São Paulo, representando 1.778 resultados. Os valores de Proteína Bruta (PB) foram obtidos pelo abcLab (Laboratório da Fundação ABC), através da espectroscopia no infravermelho próximo (NIRS), reconhecida como uma valiosa técnica analítica, rápida, precisa, não destrutiva, para determinar com acurácia a composição química de muitas gramíneas e leguminosas forrageiras. A técnica NIR foi adotada como método oficial pela Association of Oficial Analytical Chemists, para a predição do teor PB em forragens.

O método convencional, o qual origina as curvas NIR para a determinação do teor de nitrogênio total, é o método de Dumas, onde o teor de proteína é calculado multiplicando-se o teor total de nitrogênio pelo fator 6,25. O equipamento utilizado para a realização das análises foi o analisador de nitrogênio, modelo FP-628, marca LECO. O método de Dumas consiste na oxidação total da amostra na presença de oxigênio (99,9%) a 800ºC, seguida de redução dos óxidos de nitrogênio e detecção do nitrogênio molecular produzido por um detector de condutividade térmica. Sabemos que, de maneira geral e simplificada, a nutrição das vacas leiteiras tem como base o fornecimento de silagem de milho como fonte de energia (volumoso “energético”) e uma forrageira como fonte de proteína (volumoso “proteico”). Os ruminantes suprem suas demandas proteicas através da proteína contida no alimento ingerido, que passa intacta pela degradação ruminal, sendo digerida pelo sistema digestivo do animal (abomaso e intestinos) e, pela proteína microbiana sintetizada a nível ruminal a partir do nitrogênio não proteico (NNP), da proteína degradável da dieta e outros nutrientes.

As silagens de planta inteira, ou seja, com participação de grãos (amido), das culturas de sorgo, aveia, cevada, trigo e triticale, podem substituir parte da silagem de milho como forrageira energética (amido). Quimicamente, as proteínas são moléculas formadas a partir de um conjunto de aminoácidos ligados entre si através das ligações peptídicas. Os elementos químicos dessas moléculas são: carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O) e nitrogênio (N). São considerados aminoácidos limitantes, a metionina e a lisina, que mantêm uma relação de 1:3, respectivamente. Usando o conceito de aminoácido limitante, cada kg de proteína microbiana que entra no intestino da vaca, tende a produzir mais proteína no leite do que cada kg de proteína de outra fonte. Por esse motivo a principal estratégia de produção de proteína do leite envolve a maximização da fermentação ruminal. A proteína bruta (PB) contida nas silagens fornecidas aos ruminantes, é a proteína total, incluindo proteína verdadeira, nitrogênio não proteico (NNP) e a proteína contida nas porções fibrosas (proteína insolúvel em detergente ácido – PIDA e proteína insolúvel em detergente neutro – PIDN). A maioria das proteínas contém em torno de 16% de nitrogênio (N), então o fator de conversão de nitrogênio para PB é 6,25. As porcentagens médias de proteína bruta (PB) encontradas na silagem de planta inteira de milho (SPI), analisadas ao longo das 5 safras, foram de 7,2 a 7,3%, referente a 1.025 amostras (Figura 1). Os dados corroboram com os trabalhos da EMBRAPA, 2014 (7 a 10%) e FEEDIPEDIA, 2023 (6,9%).

 

Em relação a cultura do cereal de inverno de azevém, a silagem présecada, apresentou valores médios de 16,3 a 18,6% de PB ao longo de 5 safras. As maiores concentrações foram observadas no inverno de 2022, em que variou de 19,8, 21,2 e 24,5%, respectivamente, nos municípios de Ponta Grossa, Arapoti e Castro (Figura 2). De acordo com o trabalho da Embrapa (2002), os teores de PB variaram de 14,6 a 19,6% em cinco gramíneas de estação fria, dentre elas, o azevém. Importante salientar que, o estágio de desenvolvimento da planta interfere diretamente nos teores bromatológicos, e a PB é um dos parâmetros com maior oscilação. Na fase vegetativa, os teores de PB são maiores quando comparados aos teores da fase reprodutiva, após o florescimento. De maneira geral os teores de fibra aumentam, a digestibilidade da fibra diminui e a proteína bruta reduz com o desenvolvimento da planta.

Na alimentação do gado de leite, as forrageiras são as principais fontes de PB, podendo chegar de 16 a 22% (Figura 3) em culturas como aveia branca, aveia preta, azevém e alfafa, sendo fornecidas principalmente por meio da silagem pré-secada na dieta dos ruminantes. Os dados referem-se ao longo dos últimos 5 anos e contém de forma crescente o teor de PB nas diferentes culturas e finalidades, onde o milho está com teor médio de 7,2% e a alfafa 21,9%.

Vale destacar que o conceito do teor percentual indica a concentração da PB com base na massa seca vegetal. No entanto, se determinada cultura, apresentar concentração de PB menor, mas por outro lado, produzir maior volume de massa seca por unidade de área (exemplo: milho com produtividade de 20.000 kg.ha-1 de massa seca), pode ser que a produção de PB por hectare seja maior quando comparada a outra cultura que apresente maior concentração de PB, porém, menor produção de massa seca por unidade de área (exemplo: aveia branca com produtividade de 4.000 kg.ha-1 de massa seca). Importante realçar que o ciclo da proteína, que iniciou sua síntese nas plantas forrageiras, se encerra com sua metabolização e sua transferência para o leite. O leite é o produto de maior interesse econômico devido ao aspecto alimentício para os humanos, assumindo papel importante na dieta, devido ao alto valor biológico de seus nutrientes, sendo a proteína do leite um dos mais nobres; além de permitir grande variedade de processamentos industriais de diversos produtos e participar da formulação de outros tantos na alimentação humana.

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